segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Rio Ave - Benfica: mais e menos



Na ressaca da importante vitória em Vila do Conde, cumpre analisar as principais incidências do jogo.

O Benfica apareceu “no papel” com jogadores que pareciam alinhar num 4-4-2, com Enzo mais à direita e Lima e Rodrigo a fazerem de avançados centro. Todavia, na prática, o esquema táctico foi muito dinâmico e tivemos momento no jogo em que a equipa parecia estar num claro 4x3x3, com Rodrigo a cair mais como avançado/extremo direito, Enzo mais no meio, Gaitán a extremo esquerdo e Lima a ponta-de-lança.

O resultado desta mutação táctica não foi imediato e a primeira parte do Benfica não foi acutilante. É verdade que saiu para os balneários a ganhar pela diferença mínima, mas o jogo parecia não querer corroborar essa vantagem, pois, na verdade, o encontro foi sempre muito equilibrado, sem claras ocasiões de golo parte a parte, tendo o Benfica beneficiado de uma arrancada rápida de Lima, do lapso do guarda-redes do Rio Ave e do oportunismo de Rodrigo para chegar à vantagem.

No início de segunda parte, mais do mesmo: com muita lentidão nas transições ofensivas, o Benfica parecia querer privilegiar a posse e tentava, assim, suster o magro resultado. Se é verdade que o conseguia com algum sucesso, não foi menos verdade que um lance bastou para o Rio Ave empatar a contenda, num lance em que a defesa ficou baralhada com a movimentação de Hassan e em que A. Almeida fechou demasiado ao meio, deixando Ukra livre para rematar ao golo.

Chegou o empate e os adeptos do Benfica tremeram, mas a reacção não se fez esperar. O herói de Bruxelas apareceu para mostrar que está presente e começou a mexer no jogo com as suas arrancadas. Porém, foi o outro avançado, Lima, que, num lance de génio, acabou com o seu jejum de golos e voltou a colocar o Benfica em vantagem. A eficácia, era, por esta altura, quase total.

Depois disso, um médio do Rio Ave comete uma falta grosseira e acaba expulso do jogo e aí o Benfica foi claramente superior, criando algumas ocasiões de golo, tendo Lima acabado por marcar o segundo golo após mais uma boa arrancada de Rodrigo.

Mais uma vez, foi melhor o resultado que a exibição, mas o que conta são os 3 pontos e a liderança partilhada do campeonato. Haverá, no entanto, que realçar que o Benfica se debate com muitas ausências neste momento, e algumas são de vulto (Cardozo, Salvio, Siqueira, R. Amorim, Sílvio, etc.) e que, mesmo assim, a equipa tem apresentado argumentos para vencer os jogos que tem disputado, o que é de salutar.

Isto dito, vamos aos mais e menos:


Rodrigo – parece que o golo na Bélgica lhe devolveu alguma da confiança que já há muito lhe faltava; esperemos que a senda de boas exibições fiquem e durem…
Lima – Finalmente, Lima! O que o brasileiro estava a precisar era de meter umas redondinhas no saco e olha que meteu duas com grande qualidade. Vai crescer de forma, com certeza!
Matic&Enzo – não me canso de elogiar esta dupla, pois são os motores e alma do Benfica; um dia que não estejam vamos ver a qualidade da equipa baixar uns degraus.


A.Almeida – já no último jogo se percebeu que não tem grandes rotinas no lado esquerdo e que vai ser difícil cimentar-se nessa posição, mas coloco-o com “menos” pela acção no golo sofrido do Benfica.
Gaitán – fez um jogo discreto o talentoso médio argentino e a equipa precisa dele para ganhar talento e irreverência do meio campo para a frente.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Rio Ave - Benfica: prognóstico do onze



Depois da derrota de ontem do porto, o jogo de hoje em Vila do Conde tem importância redobrada, na medida em que podemos saltar para a liderança. Não tenho dúvidas que hoje jogaremos contra tudo e todos – se é que me faço entender -  e que teremos que estar no nosso melhor para não permitirmos veleidades nem que interferências externas possam mudar o rumo dos acontecimentos.

Tricas à parte, o Benfica tem, também, que aparecer determinado e a jogar mais que nos últimos compromissos oficiais, isto se quiser aproveitar o deslize do rival.

Isto dito, vamos ao onze:


Parece-me que o Benfica vai-se manter fiel ao esquema de jogo que tem usado nos últimos encontros. Na defesa, não deverão haver mexidas, até pelas muitas lesões existente nesse sector. No miolo é onde estão as maiores dúvidas: Fejsa-Matic-Enzo ou Matic-Enzo-Djuricic? A resposta pode até ser: nenhuma das duas, isto se o técnico optar por 2 medios centrais e optar por colocar o motivado Rodrigo. A mim, no entanto, parece-me que JJ optará pela 1ª formula. 

Nas alas não deverão existir surpresas: Gaitán e Markovic irão partilhar despesas nas respectivas alas. Há, no entanto, a possibilidade remota de Markovic dar lugar a O. John, por força das exibições menos conseguidas que tem efectuado.

No ataque, se Cardozo já estiver disponível, penso que não existirão dúvidas. Caso não esteja disponível, tem sido avançada a hipótese de Rodrigo poder ser titular. Ora, acredito que o golo na Bélgica tenha sido motivador, mas convenhamos que o hispano-brasileiro não tem tido muitos minutos e nas hipóteses que tem tido não tem mostrado grande desempenho. Apostava mais em Lima, não obstante a notória falta de forma do brasileiro.

Uma nota final: I. Cavaleiro está a jogar hoje pelo Benfica B no jogo contra o Porto B. Só espero que não faça falta no jogo que é realmente importante...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Anderlecht - Benfica: mais e menos



O que dizer do jogo de ontem? Ganhámos, é certo, mas fica sempre aquele amargo de boca: por que será que demoramos tanto tempo a “entrar” em jogo? Era preciso dar 30 minutos de avanço ao adversário? Será que tínhamos mesmo que permitir o empate quando tínhamos o jogo na mão frente a uma equipa com poucos argumentos? Será que não devíamos ter procurado activamente pelo 3.º golo quando estava 2-1? Será que as substituições teriam que ser feitas apenas a 7 e 3 minutos do fim?

Felizmente ganhámos! A bola chutada por Rodrigo passou caprichosamente por entre as pernas do desamparado guarda-redes do Anderlecht e entrou… e se não entrasse? Certamente estaríamos todos insatisfeitos e a dizer o que esteve mal no alinhamento da equipa: 

- “não devíamos ter jogado com o Fejsa …o Cavaleiro devia ter jogado de início…o Cardozo é que faz falta… etc…”.

Mas a bola entrou e muitas dessas vozes calam-se. Faz também parte da beleza deste desporto: a bola que bate na trave e faz com que esteja tudo mal e a bola que entra e faz com que esteja tudo bem. A maior parte dos comentadores desportivos e demais “paineleiros” vão muito nessa onda. Eu cá já não sou tanto assim…

Não foi uma exibição conseguida e fico com a sensação que a débil formação belga, se devidamente apertada, abanaria por todos os lados. Ofensivamente não têm argumentos e só um Benfica desconcentrado permitiu 2 golos de uma equipa que ainda não tinha marcado qualquer golo caseiro na Champions.

A equipa do Benfica alinhou com o onze que adiantei ontem (rectius, o lesionado Sílvio deu lugar a A. Almeida), embora num desenho táctico ligeiramente diferente. A equipa iniciou o jogo com um duplo pivot defensivo no meio – Matic e Fejsa – e com Enzo mais colado à direita, libertando Markovic para a posição de segundo avançado, atrás de Lima. Se, no papel, a ideia era boa, na prática revelou-se desastrosa: Enzo perdia relevância na ala, Matic não se estava a soltar e Markovic andava perdido e sem bola. Foi precisamente quando Enzo procurou terrenos mais centrais que mais se viu o Benfica na Bélgica, ajudando Matic também a subir de rendimento no jogo. Gaitán foi importante a espaços, sempre com os seus rasgos de genialidade, e não compreendi a sua substituição quando ainda se encontrava em campo um (notoriamente) desinspirado Markovic. Lima voltou a estar distante do jogo, talvez não por (exclusiva) culpa sua, mas pela incapacidade dos restantes colegas em lhe fazer chegar a bola em boas condições. 

Valeram os 3 pontos, o milhão de euros, o prestígio europeu e Rodrigo, que mesmo entrando para jogar uns parcos 7 minutos, não se fez rogado e marcou um golo pleno de oportunidade e importância. Será o regresso do Rodrigo AM (antes Moscovo)?


Isto dito, vamos aos mais e menos:

Enzo: continua a ser um jogador muito importante no miolo para o Benfica e é o grande transportador de jogo; a sua importância no jogo traduziu-se em 2 assistências para golo; perde fulgor na ala, mas, em boa hora, percebeu que tinha que cair mais no meio para pegar no jogo do Benfica.
Matic: não foi uma exibição perfeita, longe disso, mas o sérvio esteve, novamente, ligado à história de sucesso do Benfica no jogo, tendo marcado o golo do empate, numa fase em que o Benfica estava sem ideias e reacção; foi também importante a trazer o jogo para a frente.
Gaitán: se, por momentos, parece que liga o “complicómetro” e estraga lances ofensivos, outras vezes arranca jogadas de génio, como na jogada do golo, onde, com uma maravilhosa recepção orientada tirou da frente um adversário e chutou para golo; importante em determinadas fases do jogo, onde parecia ser, com Enzo, os únicos a remarem contra a maré.
Rodrigo: depois de ter “malhado” no Rodrigo semanas a fio, não poderia deixar de dizer que é de louvar que um jogador que entra para fazer 7 minutos num jogo consiga estar motivado (e até “quente) para fazer uma arrancada daquelas e um golo decisivo; não tenho muito mais a dizer de Rodrigo porque a sua intervenção no jogo limitou-se ao golo e a uma falta que deu livre perigoso para o Anderlecht; não se pode pedir mais de um jogador que entra para fazer tão poucos minutos e JJ deveria repensar se estas entradas tardias de jogadores em campo são para manter; a meu ver, a não ser que seja para “queimar” tempo, faz pouco sentido e desmotiva jogadores…mas ontem saiu bem…



Markovic: pouco mais que inexistente ontem; jogou no meio, onde penso que poderá render mais, mas esteve sempre muito “preso” entre as marcações dos homens do Anderlecht e procurou pouco as costas da defesa (até porque não havia espaço); quase sempre atrasado a chegar às bolas, também não fez da recepção de bola o seu forte ontem; pede-se mais de um jogador que indiscutivelmente tem categoria.
Lima: mais uma exibição abaixo do que lhe conhecemos; teve pouca bola, é certo, mas pode e deve fazer mais, especialmente quando tem oportunidade de rematar à baliza; falta de confiança nítida.
A.Almeida: não conseguiu impor-se na esquerda; sem expressão ofensiva e estranhamente inseguro a defender em alguns lances; é a direita que se sente confortável, claramente.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Anderlecht - Benfica: prognóstico do onze



Mais uma jornada de Champions e, para não variar, mais um jogo difícil. As contas são fáceis de fazer: o Benfica precisa de ganhar hoje, se ainda quer aspirar em passar à próxima fase, e tem que esperar que o PSG faça o seu trabalho perante o Olympiacos, isto para que a decisão fique para a última jornada, onde o Benfica receberá em casa um PSG – que, esperemos - já estará apurado em 1º lugar!

Porém, para que se conjugue esse cenário, é absolutamente necessária a vitória de hoje que, em condições normais, tem que acontecer, mesmo sem Cardozo.



Tenho muitas interrogações relativamente ao onze que JJ irá apresentar, isto por força das ausências de Cardozo e Siqueira e pelo mau desempenho do Benfica no último jogo.

Na defesa, acredito que Maxi, já regressado dos compromissos internacionais, seja o escolhido para lateral direito (embora o técnico normalmente opte por A. Almeida nos jogos decisivos) e que Sílvio transite, assim, para o lado esquerdo da defesa. A dupla de centrais será, certamente, a habitual.
No meio campo tenho, desde logo, muitas dúvidas sobre o tridente do meio que JJ fará alinhar (não acredito que alinhe só com 2 médios centro e 2 avançados), podendo variar entre a opção da imagem, com a entrada de Fejsa para robustecer o meio campo e fazer as tarefas mais defensivas, libertando Matic para terrenos mais adiantados e deixando Enzo como organizador de jogo. Este parece-me o cenário mais provável, mas é certo que este esquema já foi testado e apagou do jogo um jogador importantíssimo para o Benfica - Matic – que parece dar-se melhor na posição mais recuada do meio campo.

Assim sendo, Jesus poderá também optar pela entrada de Djuricic para a posição mais adiantada do triângulo do meio campo (se bem que JJ teima em colocá-lo mais à frente, numa posição que ele designa como “9,5”) e deixar a dupla mais defensiva entregue a Matic e Enzo. Poderá também promover a entrada de Cavaleiro para uma das alas ofensivas e escolher Markovic ou Gaitán para jogarem no meio, atrás do ponta de lança, que deverá ser Lima.
Nas alas, não acredito em grandes surpresas, mas há a hipótese de Cavaleiro poder jogar para se castigar Markovic pela “brincadeira” do último jogo, embora não acredite muito neste cenário e me pareça desajustado de todo.

Pessoalmente, talvez preferisse o meio campo composto por Matic-Enzo-Djuricic, mas insisto: o Djuricic deve jogar como número 10, e já não como 9,5. Parece evidente que o Sérvio rende mais quando tem a bola controlada e joga a partir de trás. Quando está muito adiantado no terreno, não tem espaço para desenvolver – e engatar – o seu futebol, pois recebe constantemente a bola de costas para a baliza e já com um ou dois polícias por perto. Certamente que o Sérvio, se conseguir pegar no jogo a partir de trás, poderá combinar bem com os alas e mesmo com o ponta de lança e tentar encontrar espaços para as diagonais de Markovic, que têm sido mal aproveitadas.

Esperemos que o Benfica entre concentrado, que não claudique nas bolas paradas defensivas e que seja eficaz quando criar oportunidades, pois ainda nada está perdido e está muito dinheiro em jogo.

Carrega Benfica!

domingo, 24 de novembro de 2013

Benfica - Braga: mais e menos



Não falhei por muito no onze que adiantei ontem. Só as inesperadas ausências de Maxi e Cardozo impediram que fizesse o pleno.

Jesualdo, como técnico experiente que é, percebeu aquela que é a maior dificuldade deste Benfica e soube explorá-la através da colocação da equipa num bloco baixo com jogadores combativos no meio (destaque para o duro e faltoso Luiz Carlos) e extremos rápidos e com bom toque de bola (grande exibição de Alan). É consabido que o Benfica sente dificuldades quando tem que pegar no jogo e encarar uma equipa bem fechada no seu meio campo e sente redobradas dificuldades quando essa equipa fechada sai em contra-ataque com critério, como foi o caso do Braga. E assim foi! Benfica sempre com dificuldades em penetrar no último terço do Braga e que, com o avançar do tempo, tornou o seu jogo mais previsível e lento! Parecia, no entanto, que mais tarde ou mais cedo iria sair um dos passes do meio para as diagonais de Markovic, que o isolaria…mas, por três vezes, ou o passe foi muito longo ou o domínio não foi o melhor. Não era a tarde do Sérvio. Nem desse, nem do companheiro de sector, Djuricic, que não conseguia pegar na batuta do jogo. Pareciam estar reunidos todos os ingredientes para mais um resultado negativo.

Num momento em que o ascendente era do Braga, e que os jogadores do Benfica pareciam estar cansados, Matic, em jogada de garra, rouba a bola a Mauro e, perante dois jogadores, remata forte e cruzado de pé esquerdo para o momento da noite! Depois disso, o Benfica soube gerir, com Matic a sobressair em diversas jogadas.

Isto dito, vamos aos mais e menos:


Matic: pelo golo absolutamente fundamental que marcou e pelo que jogou; está em clara subida de forma e o Benfica bem precisa de um Matic em grande para almejar vencer troféus;
Enzo: durante 60 minutos foi o motor da equipa do Benfica, momento em que sentiu uma quebra de rendimento, talvez pelo cansaço; sempre com a bola bem colada no pé, tentou ser o maestro que Djuricic não conseguiu ser;



Lima: o avançado atravessa uma má fase e nem parece o mesmo; sempre longe das zonas de finalização, parece estar muito ansioso na hora de rematar à baliza; que venha depressa o golo moralizador, pois precisamos do brasileiro na mesma forma da época passada;
Djuricic: o técnico deu-lhe a missão de jogar entre linhas e de ligar o meio campo ao ataque, mas o sérvio poucas vezes foi capaz de o fazer; tem bom toque de bola e muita margem de progressão, mas ainda não é o 10 que o Benfica precisa neste momento; precisa de crescer.
Rodrigo: uma miséria! Sinceramente não consigo perceber a mais-valia deste jogador neste momento; desde que foi atropelado por um comboio na Rússia que não engata uma finta, um bom remate, nada… arrasta-se em campo…corre muito, tem muita disponibilidade, mas faz tudo mal! Remata quando não deve, passa quando deve rematar, nem engata um lance de 1 para 1, deixa fugir bolas…enfim, uma miséria! Se houver fundo de verdade nas notícias sobre as ofertas pelo jogador, que o vendam enquanto ainda tem valor de mercado, pois aqui não está a ser feliz; para isto, mais vale apostar em N. Oliveira, que não lhe fica nada atrás; em suma: para rodar ou vender.
Markovic: não é que tenha feito uma exibição má, pois conseguiu, com as suas movimentações, causar os maiores calafrios à defesa do Braga, mas o o que é certo é que não conseguiu dar o melhor seguimento a esses lances; a parte mais negativa foi mesmo ter saído e não ter cumprimentado o técnico, mostrando-se desagradado com a exibição;